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terça-feira, 10 de abril de 2012

Curiosidades

  • Há 35 milhões de anos erupções vulcânicas sob o Atlântico forma a ilha.
  • Século XV, os Portugueses iniciam as descobertas marítimas.
  • Em 1418 o navegador "João Gonçalves Zarco" descobre o arquipélago.
1419-1420: - A coroa portuguesa reivindica a ilha:
  • "Zarco" é nomeado Co-governador da Madeira com "Tristão Vaz Teixeira" e "Bartolomeu Perestrelo" governador de Porto Santo."
  • Início da colonização e das obras na ilha.
  • De 1420 até 1427, um incêndio mal controlado para desbravar a terra, queimará vários hectares de floresta. Mas a terra de origem vulcânica, a água em abundância e as cinzas (como adubos) permitem assim obter uma terra muito fértil para as culturas. Os Portugueses decidem então fazer vir a cana-de-açúcar da Itália e a vinha (videira de Malvoisie) da Creta. As colheitas são muito frutuosas.
  • Em 1478, "Cristóvão Colombo" navega até a Madeira para comprar açúcar. Encontra a filha do governador de Porto Santo e a esposa. Conta-se que é graça à sua estadia na ilha que "Colombo" aprendeu a navegar e conhecer o oceano. Diz-se também que é aqui que teria tido a ideia de empreender a sua viagem em 1492.
  • Em 1566, o corsário francês "Bertrand de Montluc" atinge o porto do Funchal com uma armada 11 galeões e 1300 homens. Faz reinar o terror durante 16 dias, pilha a ilha, destrói as reservas de açúcar e mata 300 madeirenses.
  • Em 1580, quando o rei de Espanha "Filipe II" proclama-se rei de Portugal, a Madeira torna-se possa espanhola durante 60 anos.
  • Durante o século XVI, a Madeira perde a sua dominação sobre a indústria da cana-de-açúcar em proveito do Brasil.
  • Em 1662, "Carlos II" de Inglaterra casa com "Catarina de Bragança". Uma das cláusulas do contrato do casamento permite ao Carlos II de possuir a ilha. O vinho da Madeira passa a ser o único vinho autorizado a ser exportado para as colónias americanas, com a condição que seja sobre navios ingleses. Este privilégio irá atrair muitos Ingleses sobre a ilha, tanto que se formaram verdadeiras dinastias: o "Blandy" e o "Leacock". Em 1800 exportações calculavam-se as 9 milhões de garrafas por ano.
  • Em 1801 tropas ingleses desembarcam sobre a ilha para a proteger de uma eventual invasão francesa, mas retiraram-se após o tratado Amiens em 1802.
  • Em 1807 o tratado é comprometido e as tropas ingleses regressam até 1814.
  • Em 1852, 90% dos vinhedos são destruídos.
  • Em 1856, a cólera faz cerca de 7000 vítimas.
  • Em 1873, o phylloxera destrói o resto das plantações.
  • Em 1916, Portugal entra em guerra (1ª guerra mundial). Em Dezembro, o Funchal, devido à sua posição estratégica, é bombardeado pelos alemães.
  • Meados do século XX, a Madeira começa a desenvolver a sua indústria turística atraindo uma clientela rica e aristocrática. O célebre hotel "Reids" abre em 1890 e uma linha de hidroavião é instaurada à partida de Lisboa desde 1921. A ilha ganhou as suas cartas de nobreza, quando o último imperador austro-húngaro, "Carlos 1" da Áustria ("Carlos IV" da Hungria), escolhe a ilha como lugar de exílio após a guerra.
  • Em 1974, após um golpe de estado em Portugal, a Madeira recebe o estatuto de território autónomo.
  • Em 1986, Portugal entra na CEE e a Madeira junta-se por consequência a actual União Europeia.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Aeroporto Internacional da Madeira

(fotos tiradas da net)
A primeira tentativa para chegar a Madeira por ar, foi efectuada na clandestinidade pelo Tenente Sarmento de Beires, do Grupo de Esquadrilhas de Aviação República. O avião escolhido por este foi um Breguet XIV A2. Todos os preparativos para a viagem fazem-se quase em segredo. Este antigo bombardeiro não tinha autonomia suficiente para percorrer os 900 Km. Para contornar esta limitação, adaptaram-lhe um depósito suplementar para que este tivesse uma autonomia de sete a oito horas, quando a duração estimada era de cinco horas e meia. Embora o aparelho ideal para esta viagem fosse um hidroavião, essa hipótese era posta de parte, pois o exército não disponha de um. Como o Breguet era um avião de rodas, havia a necessidade de escolher um local para aterrar. Depois de alguns estudos da topografia, a solução avançada foi o Paul da Serra.
Finalmente no dia 18 de Outubro de 1920, Brito Pais e Sarmento de Beires, "montados" no recém baptizado "Cavaleiro Negro", descolam pelas dez horas com o céu limpo. Para se orientarem utilizam os navios como ponto de referência. Por volta das catorze horas, aparecem as nuvens e o rumo é corrigido. Passaram algumas horas a tentar encontrar o Arquipélago da Madeira. Passadas oito horas decidem amarar junto a um cargueiro inglês, que os socorre. Estavam a 500 km da Madeira.
Efectivamente a primeira ligação com a Madeira foi efectuada por Gago Coutinho. Esta serviria para testar métodos para a grande viagem transoceânica que planeava empreender: A Travessia do Atlântico Sul.
O avião escolhido foi um Felixtowe da Aviação Naval. Este avião tinha uma autonomia máxima de 510 milhas. Todavia a distancia a percorrer até a Madeira era de 530 milhas. A viagem só era possível com base num rigoroso planejamento e contando com vento favorável de norte.
Em 22 de Março de 1921, as condições eram favoráveis e o avião descola da Trafaria, com 3800 libras, chegando ao Porto Santo seis horas e vinte minutos depois. Desta forma simples, é realizada a primeira viagem aérea ao Arquipélago da Madeira.
Só em 1945, quando todos os países europeus já tinham assegurado ligações aéreas entre as diferentes parcelas dos seus territórios, é que Portugal, por proposta de Humberto Delgado, cria a Secção do Transporte Aéreo. Esta antecessora da TAP, que detinha o monopólio dos transportes aéreos nacionais, abriu mão do percurso Lisboa-Funchal, por não dispor de um hidroavião e por não existirem na Madeira infra-estruturas adequadas para os seus aviões. Esta, estava equipada com 8 Dakotas e 4 Skymasters e outros tantos aviões de guerra, e começou a operar em 1946 entre Lisboa, Luanda e Lourenço Marques.
É somente em 1949 que se estabelecem as primeiras ligações regulares de hidroaviões entre Southampton, Lisboa e Funchal, pelas mãos da Companhia Aquila Airways.
Esta empresa iria terminar os seus voos para a Madeira em 1958 por razões financeiras. Nesse mesmo ano uma nova companhia, a ARTOP-Aero-Topográfica, Ltda., anuncia a sua operação de transporte entre Lisboa e Funchal, tendo a seu serviço dois hidroaviões bimotores Martin-Mariner adaptados para estas viagens. Depois de alguns voos, esta companhia encerrou todas as viagens entre Lisboa e Funchal, por causa de um acidente ocorrido com um hidroavião, baptizado por Porto Santo na sua viagem inaugural a Madeira, no dia 9 de Novembro de 1952. Este desapareceu no Atlântico uma hora depois de ter descolado.
Assim, a Madeira fica novamente sem transportes aéreos directos até 1964, data em que se inauguraria o Aeroporto de Santa Catarina.
Desde 1944 que vinha sendo estudada a construção de um aeroporto na Ilha da Madeira. Vários locais foram analisados, entre os quais destacam-se São Martinho, São Lourenço, Paul da Serra, Santa Catarina e outros. Só em 1956, depois de enormes pressões por parte da opinião pública madeirense, são seleccionados os locais de Santa Catarina, Paul da Serra e São Lourenço, tendo a escolha recaído sobre o primeiro.
É em 29 de Agosto de 1960 que o Ministro Carlos Ribeiro anuncia oficialmente a decisão da construção do Aeroporto de Santa Catarina. São abertas as propostas das firmas concorrentes, sendo a Construtora Tâmega, Ltda., a firma escolhida, com um orçamento de 69 942 455$50 e com um prazo de conclusão de 700 dias. É de salientar que foi esta mesma empresa que construiu o Aeroporto do Porto Santo, por cerca de 96 mil contos.
No dia 8 de Julho de 1964, o Super Constellation da TAP, aterra pelas 11 horas e 24 minutos, transportando uma larga comitiva de convidados, onde se destaca o Presidente da TAP, Eng. Vaz Pinto. Na cerimónia de inauguração também estava o Presidente Américo Thomaz. A partir desse dia o sonho de todos os madeirenses estava realizado.
Um dramático acidente ocorrido com um Boeing 727 da TAP, numa noite de temporal do dia 19 de Novembro de 1977, este despista-se em Santa Catarina com 156 passageiros e 5 tripulantes a bordo, fazendo 106 vitimas. Toda a população madeirense e não só, fica em estado de choque. Por causa deste acidente todos os esforços são efectuados para um aumento da actual pista.
Depois de estudos efectuados pelo Prof. Edgar Cardoso, as obras começam em 1982. Embora este aumento possa parecer pouco significativo, vem permitir a sua utilização por quase todo o tipo de aviões de médio curso, com as devidas limitações conhecidas. A inauguração deu-se no dia 1 de Fevereiro de 1986.
No dia 12 de Dezembro de 1994, é assinado o primeiro contracto de empreitada, que compreendia uma ampliação para 2336 metros, um aumento do estacionamento de aeronaves para 14 posições, das quais 2 wide-bodies e a construção de parques e novos acessos automóveis. A este contracto seguiram-se, em 1997 e 1999, assinaram-se os contractos correspondentes às empreitadas de ampliação da pista para a sua versão final (2781 metros), e o novo terminal de passageiros.
Depois da inauguração, o Aeroporto de Santa Catarina, passou a ter o nome de Aeroporto Internacional da Madeira.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Maximiano de Sousa



A ele se devem êxitos como Noites da Madeira, Bailinho da Madeira ou A Mula da Cooperativa. E nada faria prever que este jovem madeirense, que sonhava ser barbeiro e fora alfaiate, viria a ser um dos mais populares artistas portugueses.
Maximiano de Sousa, de todos conhecido como Max, era madeirense, nascido no Funchal em 1918. Foi aí que iniciou a sua carreira artística. Sonhara ser barbeiro e violinista, tinha ouvido para a música mas pouca paciência para aprender o solfejo, e acabou por aprender o ofício de alfaiate.
Contudo, o bichinho da música que sempre tivera tornou-se numa carreira em 1936, quando começa a actuar no bar de um hotel do Funchal: cantor à noite, alfaiate de dia. Em 1942, é um dos fundadores - como cantor e baterista - do Conjunto de Tony Amaral, que se torna numa sensação nas noites madeirenses e que, em 1946, vem conquistar Lisboa.
O trabalho é muito e o conjunto assenta arraiais no night-club Nina, interpretando os ritmos do momento - boleros, slows, fados-canções. E é o Fado Mayerúe de Armandinho e Linhares Barbosa, mais conhecido como Não Digas Mal Dela, que populariza a voz de Max e leva à sua saída do Conjunto de Tony Amaral, iniciando finalmente a carreira a solo que desejava em 1948.
Agora actuando sozinho, Max dispara para o estrelato através da rádio e das suas presenças no Passatempo APA do Rádio Clube Português, em parceria com Humberto Madeira. Em 1949, assina contrato com a Valentim de Carvalho e grava o seu primeiro disco: um 78 rotações com Noites da Madeira e Bailinho da Madeira. É o primeiro de uma longalista de sucessos como A Mula da Cooperativa, Porto Santo, 31 ou Sinal da Cruz. Em entrevista ao jornal Se7e, em 1978, referia que eram os discos que lhe davam mais dinheiro, pois "os direitos de autor estavam sempre a pingar".
Depois da rádio, Max conquistao teatro, participando a convite de Eugênio Salvador na revista Saias Curtas, em 1952. Será apenas a primeira de uma longa série de revistas que confirmarão também os seus dotes de actor e humorista.
Em 1957, parte para os EUA para uma digressão de cinco anos interrompida por uma súbita doença de coração ao fim de dois. Viajará em seguida por Angola, Moçambique, África do Sul,Brasil e Argentina. Regressado a Portugal, embora continue a ser um dos artistas mais queridos do público, encontrará alguma dificuldade de trabalho ,sobrevivendo à conta dos discos que continuava a gravar. Um dos seus maiores êxitos surgirá aliás neste período, Pomba Branca. Faleceu em 1980.

Nossa Senhora do Calhau

Na capitania do Funchal começou a povoação junto ao mar, adensando-se pelas margens das ribeiras. A parte baixa, constituída por terrenos de arrasto, modificou-se com as cheias, sendo conquistado às inundações, sofreando-se as águas a esbravar as margens, pelo corregimento a uma directriz no seu curso.
Assim nas abas de recosto, mas a seguro no extenso vale, se estabeleceram as principais vivendas, começando Zarco por habitar o socalco de Santa Catarina, depois o chão abrigado de S. Paulo subindo daí o arrife, veio pousar vistoso taboleiro, onde hoje se chama as Cruzes, sitio depois, de mais acabada habitação.
Na margem esquerda da ribeira que tem o nome do seu companheiro João Gomes, escolheu um assentado mais baixo, defendido do mar, á foz, por grosso calhau, para edificar uma igreja a N.ª Senhora da Natividade, que pelo local pedregoso, então a gente do povo lhe chamou N.ª Senhora do Calhau.
No toco da rocha de sua morada alta, mandou também Zarco construir uma ermida à Mãe de Deus, N.ª Senhora da Conceição, que ao tempo se chamou de N.ª Senhora de Cima em contraste com a N.ª Senhora de Baixo, que embora não fosse d Conceição, muitas vezes é assim denominada.
As funções sacerdotais no começo da povoação foram exercidas pelos franciscanos que os descobridores trouxeram na sua barca, naufragados no Porto Santo, a leste, que ficou sendo o Porto dos Frades, quando estes se destinavam as Canárias, e como as Ilhas foram doadas á Ordem de Cristo, providenciou assim o Dom Prior de Tomar, na sua jurisdição, referente ao espiritual, que viessem para a Madeira, onde exerciam as funções do culto.
A primeira igreja construída no Funchal foi a de N.ª Senhora do Calhau. O templo orientava-se leste-oeste, tendo suas portas ogivais: a principal abrindo ao poente, e a lateral ao sul. Uma torre quadrangular se erguia no ângulo sudeste e elevava-se a um eirado donde se erguera a torre dos sinos rematada em zimbório, talhado em forma de pião invertido.
Na capela-mor existiu um quadro a óleo, representando a geração de N.ª Sra., por isso supomos que o orago fosse N.ª Sra. Da Natividade, embora se chamasse N.ª Sra. Da Conceição de baixo ou N.ª Sra. Do Calhau.
Do lado da epístola ficava a capela do Espírito Santo fundada por Afonso Correia, ali sepultado em 1490. Esta capela foi depois consagrada ao Santíssimo Sacramento. Em 1772, era seu administrador António Correia Bettencourt Henriques. À Confraria do SS. Sacramento pertenciam as pessoas mais distintas do Funchal.
Tinha mais as seguintes capelas com rendas deixadas pelos fundadores, a saber: Santo António de Lisboa, de grande devoção; S. Nicolau, Bispo; e Chagas de Cristo.
Do lado do Evangelho, ficava a capela de N.ª Sra. Do Rosário e a de Sta. Barbara.
Em 1476, era vigário na Igreja do Calhau, o P. Fr. Nuno Gonçalves demasiado ríspido e exigente nas suas prerrogativas, pelo que, o donatário do Funchal, vendo o povo mal contente e queixoso fez baixar a carta de suspensão das suas funções, mandando-as entregar ao novo vigário Fr. Nuno Cão que trouxe capítulos para passar certidão aos beneficiados e examinar as capelas de capa de prata assim chamados os encarregados das missas pelo Infante D. Henrique.
Nesta igreja de N.ª Sra. do Calhau, primeira paróquia do Funchal, se realizavam todos os actos do culto e as cerimónias da Semana Santa e onde se armava o Tumulo do Senhor que era visitado em 6ª feira da Paixão.
Aos Domingos, depois da missa, falava Zarco a sua gente, à porta oriental que era a principal, ornada com três arcos de cantaria que sustentavam o coro, e ali lia as ordens recebidas do mestrado e administrava Justiça, ouvindo as razões expostas.
Crescendo a povoação com honrada gente e muito trato aprouve a D. Manuel I elevar a vila do Funchal à categoria de cidade em 1508 e seis anos depois, o Papa Leão X criou o primeiro bispado das descobertas sendo Fr. Nuno Cão elevado a deão da Sé, continuando no entanto com a dignidade de vigário de N.ª Sra. Do Calhau. Em 1558 foi o Funchal dividido em 2 freguesias. N.ª Sra. do Calhau e Sé.
Em 1556 foi criada a freguesia de S. Pedro e S. Paulo, extinta em 1579 e restaurada em 1589, com a invocação de S. Pedro, com a sede onde hoje está.
A vila do Funchal tem o seu centro no bairro oriental em cujo extremo, chamado o Cabo do Calhau, fica ainda a capela de S. Pedro Gonçalves Telmo chamada agora Capela do Corpo Santo. A antiga rua da Boa Viagem recorda aos estaleiros e as empresas marítimas onde se faziam bateis e caravelões.

terça-feira, 20 de março de 2012

Vocabulário Madeirense

Abicar-se — Precipitar-se. Suicidar-se
Afiuzar-se — Contar com a opinião ou apoio de outrem
Afreimado — Assustado. Com perturbação na circulação sanguínea: sangue afreimado
Ápilhar — Alcançar. Apanhar. Encontrar
Arcas — Costelas. Vértebras
Atazanar (Atenazar) — Incomodar com insistência. Perseguir
Atremar (Atermar) — Compreender. Entender
Azoigar ou azougar — Morrer (falando dos animais)
Bandulho — Barriga. Ventre
Bebra — Relógio que não regula bem
Belisco — Coisa muito pequena. Insignificante
Bisca — Indivíduo de mau crédito
Bizalho — Pequeno galináceo. Cousa pequena. Criança
Caçoar — Troçar. Manga
Cagaço — Susto
Canzana — Cão grande. Homem alto e mal ajeitado
Cruzes — Região renal ou lombar do corpo humano
Descasca — Repreensão
Embeiçado — Desgostoso. Falto de recursos. Sem dinheiro. Tristonho
Encegueirado — Com a vista perturbada
Enfiado — Lívido. Tomado de susto
Estalar — Rebentar. Morte de alguns animais
Esticar — Azougar. Morrer
Estuporar — Encolerizar-se violentamente
Fanfar — Gabar-se. Envaidecer-se
Freimão — Grande «freima». Grande aflição
Furado — Túnel
Gamelão — Vasilha de cantaria (pedra) em que se deita o alimento aos suínos
Gravanços — Mãos. Braços
Imbigo — Umbigo
Invejidade — Inveja
Jaleco — Colete maior do que o ordinário ou pequeno casaco sem mangas
Joeira - Papagaio
Lambuzar — Sujar
Lapinha — Presépio do Natal
Luzir — Despontar da manhã
Malha — Sova, bater em alguém
Mamolhão — Pequena distensão na pele causada por pancada
Manono — Sem actividade. «Molancão»
Matagueira — Matagal. Lixo. Restos de...
Matina — Refeição matutina
Paleio — Pequena conversa
Palhetes — Fósforos
Patinhar — Pôr os pés sobre certos objectos
Pegajento — Que pega, que adere. Pessoa importuna
Pirralho — Criança de pouca idade. Objecto pequeno
Pisar-se — Ferir-se. Magoar-se
Poio — Pequeno trato de terreno
Pontada — Dor aguda
Ranheira — Defluxo nasal
Refundiar — Mexer até o fundo. Procurar minuciosamente
Relampada — Pancada. Sopapo. Bofetada
Sarrilho — Coluna vertebral. Costas e aduelas
Surra — Trepa. Descompostura. Acto de bater
Tarraço — Alcoólico inveterado. Dado à embriagues
Trafulha — Indivíduo sem crédito
Tromba — Cara. Rosto
Vaginha ou Baginha — Feijão e seu invólucro em meio crescimento
Venda — Mercearia
Vergalhada — Pancada com pau ou vara

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Coisas velhas que os novos não sabem...

  • Foi no ano de 1570 que os jesuítas vieram estabelecer-se na Madeira, onde fundaram um Colégio.
  • O convento da Igreja de Santa Clara foi inaugurado em 1497 e o de S. Francisco em 1472, havendo já nesta cidade, antes desta época, muitos frades franciscanos.
  • A casa de abrigo do Poiso, pequena casa quadrangular, situada a 4.500 pés, acima do mar, foi mandada construir pelo governo para abrigo e alojamento dos viandantes, tendo ficado concluída em princípios de 1852.
  • A aldeia do Faial era, em 1887, muito pobre, composta de duas dúzias de choupanas de colmo que, em pobreza e imundice, ainda excediam os miseráveis ranchos de índios, espano-americanos, diz um cronista da época.
  • Naquele mesmo ano, Santana, já era uma aldeia populosa, com uma grande Igreja, e alguns edifícios circundados de vistosos jardins. O mais aparatoso desses edifícios era a hospedeira do Aciaiuoly.
  • A actual igreja paroquial da freguesia de Santo António começou a ser edificada no primeiro quartel do século XVIII. A imagem do Santo correspondente foi encomendada para Espanha. E em madeira, de tamanha maior que o natural e chegou ao Funchal em 1715.
  • A primeira paroquia que existiu na Ilha na Madeira foi a de Nossa Senhora do Calhau, sendo a sua sede transferida em 1508 para o actual templo da Sé, então conhecido pelo nome de Igreja Grande sob a invocação de Nossa Senhora da Assunção ou do Monte. No ano de 1514, data em que foi criada a diocese do Funchal, passou esta a ser Catedral por bula do Pontífice Leão X, sendo sagrada pelo Bispo D. João Lobo em 18 de Outubro de 1511. O terreno onde foi construída a Sé, conhecido pelo nome de Campo do Duque, foi dado por D. Manuel e toda a despesa foi paga pelo imposto lançado sobre os vinhos dos Concelhos do Funchal, Ponta do Sol e Calheta. A torre dos sinos que mede cerca de 50 metros de altura é coberta de azulejos mas poucos restam dos primitivos, pois a maior parte deles foram substituídos depois do terramoto da noite de 31 de Março de 1748 que produziu grandes estragos. Os sinos primitivos ficaram muito deteriorados com o abalo sísmico e foram substituídos por 6 sinos novos os quais foram devidamente sagrados na manha do 9 de Novembro de 1822, no adro da Sé ficando cada um deles com os nomes seguintes: Ao 1º - Nossa Senhora do monte; ao 2º - Santo Agostinho; ao 3º - Santa Rita de Cássia; ao 4º - Santa Barbara, ao 5º - S. Joaquim e ao 6º - S. Pedro.
  • O primeiro hospital que houve nesta ilha foi construído à custa do povo no ano de 1469 num terreno junto à capela de S. Paulo doado em 1454 para este fim pelo Cap. João Gonçalves Zarco o qual permaneceu neste sítio apenas durante 15 anos.
  • O castelo de S. João Baptista, vulgarmente chamado fortaleza do Pico foi mandado edificar pelo Governador-geral D. Francisco Henriques que tomou posse do governo desta ilha a 28 de Outubro de 1622 e faleceu em 23 de Julho de 1624. Uma lapide que está na praça de armas, comemora o Governador Geral Luís de Noronha Henriques Pinto como o edificador do resto da obra e este assumiu o governo da Madeira a 6 de Junho de 1636 e deixou-o em igual dia de 1640, é portanto claro que o castelo de S. João Baptista do Pico foi concluído entre 1622 e 1640. Na praça de armas está edificada uma capela dedicada a S. João Baptista.
  • Os carros de arrasto do Monte, que em menos de 10 minutos ponham uma família na cidade, foram construídos expressamente para o transporte de passageiros daquela pitoresca estancia para o Funchal. Este sistema de locomoção acelerada é por certo anterior a todos os caminhos-de-ferro, diz uma crónica de tempos antigos, acrescentando que, “se o seu inventor não fosse um pobre filho da Madeira, não digo que ele alcançasse a celebridade de Stephenson porque não quero com a exageração prejudicar o elogio, mas seu nome não seria, por certo ignorado daqueles que procuram tão cómoda como agradável diversão.”
  • Em Machico há dois pequenos fortes. Um construído no centro da cortina da Vila denominado Nossa Senhora do Amparo. A sua construção foi feita no ano de 1706 à custa do seu primeiro capitão Francisco Dias Franco, como se vê da inscrição que está por cima da porta da entrada. O outro construído em 1708 na margem oriental da baia por cima desembarcadouro, denominado de S. João Baptista. Foi deste forte que se fez o 1º tiro de bala no dia 22 de Agosto de 1828 sobre o brigue de guerra da esquadra do Infante D. Miguel que atacou a vila de Machico. O tiro foi dirigido pelo ajudante de artilharia auxiliar João Francisco de Sousa Ribeiro e fez alguma avaria no brigue que era o “Infante D. Sebastião”.
  • A fortaleza do ilhéu foi mandada fazer pelo Governador Bartolomeu Vasconcellos da Cunha em 1654, e logo em 9 de Novembro de 1682, vinte e oito anos depois, mandou o príncipe regente, depois, D. Pedro II, por seu alvará, que se fizesse uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição do Ilhéu, fazendo-lhe depois várias concessões.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Freguesia dos Canhas

Canhas 1950
Distando 8 km da sede de concelho, confina a Norte com o planalto do Paul da Serra, a Sul com o Oceano Atlântico, a Leste com a Paroquia da Ponta do Sol e a Oeste com a freguesia da Madalena do Mar. Esta freguesia é irrigada pelas levadas do Pico e das Cruzes e é servida pelo porto da vila da Ponta do Sol e pelo pequeno porto dos Anjos, situado na costa da freguesia.
Criada por alvará régio de 30 de Janeiro de 1577, só se constituiu como freguesia alguns anos mais tarde, instalando-se a matriz na capela de S. Tiago, fundada por Rui Pires de Canha, ao que se supõe. Esta capela terá sido edificada em local escolhido por João Gonçalves Zarco, desconhecendo-se o ano da sua fundação. Apenas se sabe que, pelo mesmo alvará, esta capela foi elevada a sede da paroquia dos Canhas, que ai ficou poucos anos, pois já em 1587 tinha passado para a igreja de Nossa Senhora da Piedade. Da primitiva capela nada resta. Nos primeiros anos dos século XVII erigiu-se um novo templo para o qual foi transferida a sede da paroquia, e em meados do século XVIII, outra igreja, que é a actual, é construída. Nesta freguesia existiram as capelas de Nossa Senhora do Socorro, instituída em 1665; a de Nossa Senhora da Anunciação ou da Encarnação, edificada em 1696 e a de Nossa Senhora do Monte e Sant'Ana, edificada em 1733.
Actualmente, existe na freguesia a capela de Nossa Senhora dos Anjos, cuja construção remonta ao terceiro quartel do século XV. Paralelamente, existiram outras duas capelas: a do Sagrado Coração de Jesus, no sitio do Outeiro e a de Santo André Avelino, no sitio do Carvalhal, que foi demolida e no seu local construída a igreja do Carvalhal.
A origem do nome reside no apelido Canha de uma família que ali estabeleceu nos primeiros tempos da colonização, dando às suas terras o nome de Canhas.
Nesta freguesia, merece especial atenção o Paul da Serra, única planície existente na ilha da Madeira. É este lugar, frequentemente fustigado por temporais e com níveis de precipitação elevados, que o tornam no mais importante recurso hídrico que alimenta as ribeiras madeirenses e dá origem aos mais ricos caudais de agua utilizados na irrigação. Ao longo de muitos quilómetros, estes caudais são transportados pelas levadas aos pontos mais distantes da ilha. Ao longo do percurso, a levada vai-se dividindo em "lanços", sendo a agua distribuída por meio de "talhos" ou "sacadas", designação dada aos cortes laterais do aqueduto. Trata-se de uma freguesia agrícola onde a mulher ajuda o homem nos trabalhos do campo e se dedica ao bordado na maior parte do seu tempo. Talvez por esse facto, esta é uma das povoações da ilha da Madeira onde a tradição regista as melhores bordadeiras.

Canhas 2011

domingo, 12 de junho de 2011

Terreiro da Luta



O turista interessado não poderá deixar de visitar, o maior monumento existente na Madeira, a cerca de 2 km do Monte. No sitio do Terreiro da Luta, este monumento dedicado a Nossa Senhora da Paz, foi construído na sequência do bombardeamento ao Funchal por submarinos alemães, em 1917. Fez-se a promessa de que se a paz voltasse, os ilhéus ergueriam outra estátua em homenagem à Sra do Monte. Dez anos mais tarde, acabava de se construir uma enorme estátua, talhada de mármore, com 5 metros de altura.

"O Vapor"

"Entre a Ponte Nova e o Torreão, sobre a Ribeira de Santa Luzia ficava o "vapor", essa habitação única que era um bairro em miniatura, uma republica de lavadeiras presidida por uma velha vesga que sabia da vida de toda a gente, tanta roupa já tinha lavado. Não que ela tivesse encargos sobre essa irmandade, mas como uma abelha-mestra, tinham-lhe um certo respeito as outras vespas que na sua presença se abstinham um pouco de pregar brutal ferroada no credito alheio. Mas, estava-lhes na massa do sangue a divisa da classe: ensaboar a roupa suja.

Uma habitação singular
Quem mandou fazer aquela edificação esguia de tabuado, escorado de margem a margem, da ribeira, nunca se nos deu de o saber, mas talvez começasse por servir de ponte, antes de ser armada a colmeia com o seu corredor muito estreito ao centro, tendo dos lados as pequenas células independentes com vista para montante e para a foz. A cor vermelha com que foi pintado dava-lhe um aspecto de casco de navio e, ou fosse por esta razão ou pelo seu formato esguio, o certo é que todos conheciam a habitação tão singular pelo nome de "vapor". Que enormidade de coisas se arrumavam ali a dentro: uma cama velha, um baú ou caixa de pinho, uma cadeira sem costas ou de uma perna a menos, um Santo Antoninho de barro, ervas bentas pelas paredes, estampas encardidas, guitas cruzadas para dependurar roupa, em fogareiro de pedra, um tacho de folha, um cesto barreleiro, uma vassoura de palma, uma celha com agua de anil, e mais. A lavadeira é uma mulher fecunda. Tinham ali uma média de cinco filhos. Os mais pequenos em fralda, muito sujos, sempre a choramingar, os maiorinhos, já de calças, mas rotas, com um cordel traçado a servir de suspensórios, não desmereciam no fraseado das suas progenitoras.

Os encantos da miudagem
Por baixo do "vapor" havia no verão uma represa feita na ribeira com os calhaus do leito cimentados a barro, leivas e ervas raizantes dos charcos, onde se empoçava a agua, que solta da comporta todas as semanas, varria para juzante as imundices acumuladas no leito. Era este açude o gáudio do rapazio. Naquela agua turva do sabão, escoada das lavagens, cheia de bolhas, grossas que rebentavam só de encontro às margens, medravam eirós verde-negros, sacudindo o rabo como serpentes de agua. Faziam pesca deles, os rapazes, com um alfinete torto em forma de anzol, levando como isca uma minhoca que se debatia no suplicio, atravessada de meio a meio. As vezes havia regatas de celhas, sentados os garotos ao fundo delas com os pés cruzados, servindo-se das mãos bem espalmadas para remar. Se acaso abalroavam as embarcações, metendo agua dentro, não havia perigo, porque eram como peixes a nadar, saindo depois dali molhados, quais pintos ao sair da casca, e o menos que os esperavam era uma sova de sapato, enquanto a roupa despida enxugava ao sol.
Foi demolido o "Vapor" que ameaçava ruína, desconjuntado e tremente ao marulho das enxurradas de inverno. Lavada em lágrimas vem a ribeira, mais lavado de ares ficou talvez o recanto, sem as lavadeiras.
Foi-se o "Vapor" como um vapor de agua que se perde, e como não figura nas estaticistas do porto, recordação, a vapor assim narrada."

sábado, 4 de junho de 2011

O Comboio do Monte!

O Comboio do Monte, também conhecido por elevador ou ascensor foi, sem sombra de duvidas, um grande contributo para o desenvolvimento da freguesia do Monte, que viria a ser a mais conhecida Estância Turística da Madeira.
Os estudos para o Comboio do Monte foram feitos em 1886, pelo engenheiro Raul Masnier Ponsard, a quem deve entre outros, o elevador de Santa Justa, em Lisboa. Apesar da relutância dos madeirenses em contribuir com capital para a formação da Companhia do Caminho de Ferro do Monte, o primeiro troço entre o Pombal e a levada de Santa Luzia, foi inaugurado a 16 de Julho de 1893, iniciando-se as viagens entre o Pombal e o Atalinho em 1894.
Com uma paragem à porta do Monte Palace Hotel, o comboio continuava ate o apeadeiro do Largo da Fonte, que era o fim da linha. Mais tarde, a linha férrea, foi prolongada até o Terreiro da Luta ficando, no total com uma extensão de 3850 metros.
A 10 de Setembro de 1919 deu-se uma explosão na caldeira, de uma locomotiva, quando o comboio subia em direcção ao Monte. Deste acidente resultaram quatro mortos e muitos feridos. Em consequência, as viagens foram suspensas até 1 de Fevereiro de 1920. A 11 de Janeiro de 1932, acontece novo acidente, desta vez descarrilamento. A partir de então os turistas e habitantes consideraram o transporte perigoso. Aliando este facto à crise que a Companhia atravessava, só havia uma saída, acabar com a Companhia do Caminho de Ferro. A ultima viagem realizou-se em Abril de 1943, a linha foi desmantelada e vendida em hasta publica para a sucata. Parte desse material foi utilizado na reparação do elevador do Bom Jesus de Braga.


(fotos tiradas da net)

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Pilar de Banger


Funchal - principio do sec. XX
(fotos tiradas da net)

Durante cerca de 40 anos a cidade do Funchal, foi conhecida, retratada, pintada e descrita como um local onde existia uma enorme coluna de pedra com cerca de 30 metros e altura e 3 metros de diametro, essa coluna tinha o nome de Pilar de Banger, em honra ao homem que a mandou construir, John Light Banger, um comercinte ingles. O enorme pilar foi construido com pedra retirada da pedreira do Cabo Girão e ficou concluido no ano de 1798, tendo como primeira utilidade o transporte de mercadorias entre os barcos e a terra , por meio de guindastes colocados nele e como um local de sentinela contra navios piratas, sendo mais tarde usado pelos Blandy, como posto de sinais para a navegação.
Mas eis que no ano de 1939, alguem teve a infeliz ideia de destruir, com o objectivo de construir a actual avenida do mar. Apesar de muitos protestos da população e da imprensa, a destruição do Pilar de Banger deu-se em Agosto do mesmo ano.

Em 1987 foi reconstruido parcialmente algumas pedras originais, não muito longe do local onde primitivamente fora construido. É certo que que jamais poderá ser apagado o erro cometido em 1939, mas pelo menos com esta iniciativa, as pessoas vão ficar sempre a saber que existiu o Pilar de Banger. Como curiosidade refira-se que algumas pedras do Pilar de Banger se encontram na Quinta do Palheiro Ferreiro.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sé Catedral do Funchal

foto tirada da net
(foto tirada da net) Funchal - 1920
foto tirada da net
A primeira igreja do Funchal foi construída perto da praia do Calhau. Ampliada em 1438 e novamente em 1450, depressa se tornou insuficiente para as necessidades da população. Por isso, a 5 de de Novembro de 1485, iniciou-se a construção de uma nova igreja no Campo do Duque, que esteve sujeita a diversos atrasos. Em 1500, o Rei voltou a insistir na construção da tão aclamada "igreja grande" e, em 1517, o novo templo foi finalmente concluído. O plano da igreja encontra-se dentro da tradição do gótico mendicante, misturado com influencias mouras, manuelinas e até locais. Dez arcos góticos ligam as naves e a luz natural é feita por oito frestas manuelinas na capela-mor. O recheio da igreja é excepcional e encontra-se espalhado um pouco por todo o lado. Algumas das peças do tesouro podem ser vistas no Museu de Arte Sacra. Quando entra na igreja pode ver algumas das ofertas do Rei, como a pia baptismal, ainda no seu local de origem, o púlpito e o pequeno altar-mor. Seis capelas com arcos góticos ocupam as naves laterais. A capela-mor abre por um arco triunfal e todo o pano de fundo é ocupado por um poliptico constituído por uma magnifica colecção de tábuas. Nas paredes laterais sobrevive o cadeiral manuelino, composto por duas filas de cadeiras, sendo a primeira fila reservada aos capitulares e mais baixa aos capelães. A fila mais alta tem espaldares decorados com imagens dos Apóstolos e dos Profetas. Descreve-los é simplesmente impossível! Quer nos assentos do cadeiral, quer nos braços das cadeiras, encontra interessantes motivos de de influencia medieval, alguns um pouco atrevidos, resultado da imaginação doa artífices manuelinos. Na capela do santíssimo, decorada ao estilo dos séculos XVIII e XIX, pode apreciar uma grande pintura do século XVII que representa a Ultima Ceia. Existem dois relógios mecânicos na torre que marcam o ritmo de vida dos cidadãos e da cidade. Antes destes relógios existiram outros. O primeiro começou a trabalhar em 1776 e foi retirado em 1921, encontrando-se hoje na Biblioteca Municipal. O segundo relógio foi doado por um medico inglês e começou a funcionar em 1922, mas só em 1923 é que se puderam ver as horas e os minutos. Até lá só havia um ponteiro a indicar as horas. Finalmente, em 1989, este relógio foi substituído por outro controlado por um sistema computorizado. A Sé do Funchal, é dos poucos edifícios que sobreviveram virtualmente intactos desde os tempos da colonização. Nos anos 90 do século XV, D. Manuel enviou o arquitecto Pêro Anes para trabalhar no desenho da catedral do Funchal, que ficou concluída em 1514. No entanto, em 1508, quando o Funchal foi elevado à categoria de cidade, já se celebravam missas no templo. Contudo, o corucheu da torre sineira e mais alguns detalhes só vieram a ser finalizados cerca dos anos de 1517-1518. Os destaques vão para os assentos da capela-mor que exibem santos, profetas e apóstolos em trajos do século XVI. Nos pormenores decorativos dos assentos e apoios para os braços podem ver-se aspectos da vida da Madeira, como por exemplo, um querubim que transporta um cacho de bananas e outro carrega um odre cheio de vinho. A igreja possui uma excepcional cruz processional, oferecida por D. Manuel I. Esta alfaia de culta em prata é considerada uma das obras-primas da ourivesaria manuelina portuguesa.
Sé - 2008

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Boaventura!

foto tirada da net (sem data)
"O porto desta povoação é na boca da Ribeira da Boaventura, mau porto e com muitos penedos mergulhados. Este curato é unido à freguesia de Ponta Delgada. Toda a povoação está espalhada pelos diferentes lombos, entre balseiras, e daqui se atravessa ao Curral das Freiras, cujo caminho é péssimo, por escabrosos rochedos ate ao Alto das Torres e coberto de arvoredos.
Dista 9,5 km da sede do concelho e confina com as freguesias de Arco de S. Jorge, Ponta Delgada, S. Vicente e Curral das Freiras.
A pouca distância da sua costa, encontram-se dois ilhéus conhecidos por Porco e Vermelho. Fica-lhe defronte o ilhéu Preto em cuja fenda por onde o mar se espadana, se dá origem à formação de um altíssimo jacto.
É esta freguesia servida ainda por um pequeno porto, na foz da ribeira do mesmo nome, que nasce na Serra das Torrinhas e desagua no Oceano Atlântico. Pedro Gomes Galdo é considerado um dos mais antigos antigos colonizadores deste lugar, aqui tendo possuído terras de sesmaria e a quem se atribui a fundação da capela de S. Cristóvão, no sitio que ainda hoje conserva este nome.
Os terrenos que constituem a paroquia de Boa Ventura pertenceram, durante quase três séculos à freguesia de Ponta Delgada, da qual foram desmembrados em 1836. A sede da nova paroquia foi estabelecida na capela de Santa Quitéria, construída no sitio do Serrão, que fora edificada em 1731 e reconstruída em 1835. Existiram nesta freguesia as ermidas de S. Cristóvão e de Sant'Ana, e em 1918 procedeu-se à construção de uma capela no sitio da Fajã do Penedo, dedicada ao Coração Imaculado de Maria.
De acordo com o Elucidário Madeirense, é totalmente desconhecida a origem deste topónimo, sendo necessário, em primeiro lugar, averiguar a verdadeira grafia desta designação, na medida em que este nome aparece escrito de duas formas: Boaventura e Boa Ventura. Presume-se que a primeira forma é a mais antiga e também a mais comum e usual, desconhecendo-se, contudo, que razão estará na base da preferência de qualquer uma delas. Alberto Artur Sarmento, em "Freguesias da Madeira" é de opinião que, nos primórdios do povoamento, estas terras terão sido chamadas de boa ventura, alcunha que teve o seu povoador.

Esta é uma das freguesias mais pitorescas da ilha. O seu casario disperso resulta no isolamento de algumas povoações, como no caso de Falca de Cima e Falca de Baixo. Nestas terras tiveram assento algumas casas solarengas, como os morgados do Serrão, da Silveira e Curado de Vasconcelos e Licio de Lagos. No sitio de S. Cristóvão existiu uma pequena fabrica de telha, feita de um barro muito denso, que se encontrava nas suas proximidades e que era muito resistente aos danos provocados pela maresia.
As referencias mais antigas à localidade de Boaventura perdem-se nos anais da história. Todavia aquela mais antiga que conseguimos encontrar lavrada em documento é de 1520. Refere-se no documento que nas três localidades residiam 43 moradores.
A orografia da vertente norte da ilha associada às difíceis condições de aproximação da costa não facilitou a circulação de homens e dos produtos arrancados à terra. Este factor condicionou de forma evidente a evolução das freguesias e concelhos deste espaço. Em 1774 um dos grandes argumentos usados pelos moradores do norte para reivindicarem o novo município era a grande dificuldade de comunicação, por terra e por mar, com Machico. Somente em 1914 tivemos a primeira estrada de ligação ao Funchal pela Ribeira Brava que em 1928 foi alvo de alargamento para se ajustar à circulação de viaturas.
Ate ao actual estabelecimento da rede viária, passou-se um sinuoso percurso na aproximação da vertente norte ao sul. Até ao aparecimento do automóvel a costa norte manteve-se como um local de perdição, quase inacessível aos mortais. Atingir estas faldas montanhosas só a pé, a cavalo ou em rede, pois o barco era um meio pouco eficaz. Além disso, os caminhos eram sinuosos e de grande insegurança para os visitantes e insulares. Daqui resulta o seu quase total esquecimento até a primeira estrada em 1914 a ligou ao Funchal. Depois foi a abertura, em 25 de Junho de 1953 do túnel que liga ao Arco de S. Jorge.


Boaventura - 2008

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sitio dos Anjos!

Pertencente à Freguesia dos Canhas, existe no sitio uma capela dedicada a Nossa Senhora dos Anjos, cuja construção remota ao terceiro quartel do século XV.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Ribeira da Janela

Ribeira da Janela antes de 1891 (foto tirada da net)
Ribeira da Janela em 1900 (foto tirada da net)
Ribeira da Janela em 1956 (foto tirada da net)
O mais abundante e extenso curso de água que, formando-se no interior da ilha e no meio de alterosas montanhas, se vai lançar no oceano, é a chamada Ribeira da Janela. Nas proximidades da sua foz se levanta um pequeno ilhéu, de 40 metros de altura, tendo, quase no cimo, um orificio natural, que, a certa distância, lembra sem esforço uma janela aberta na penedia. Daqui vem o nome que a esta corrente deram os primitivos colonizadores. A povoação ou núcleo de habitantes que se foi constituindo nas suas margens tomou naturalmente o nome que ela tinha. Eis a origem da denominação da freguesia da Ribeira da Janela.
Os terrenos que hoje formam esta paroquia pertenceram na sua quase totalidade à freguesia do Porto do Moniz, tendo uma parte menos considerável deles pertencido à freguesia do Seixal. Por meados do seculo XVI, havia já habitantes de moradia fixa nas vertentes da ribeira, existindo alguns casais na margem direita do ultimo quartel do mesmo seculo, que pertenciam à paroquia do Porto Moniz.
Dá-se a capela de Nossa Sra. da Encarnação como fundada em 1630 por António Fernandes e Manuel Rodrigues, que eram ali moradores, dizendo-se que que alguns anos depois foi destuída por um grande aluvião. É certo, porém, à vista de documentos examinados, que a capela foi edificada pelo povo em 1699, sendo a 7 de Setembro deste ano a data da respectiva dotação.
Transpor o maior curso de água da Madeira foi uma tarefa difícil e arriscada durante pelo menos quatro secúlos. A velocidade das águas no Inverno tornava a travessia impossível. Uns paus improvisados a servirem de ponte nem sempre estavam nas melhores condições e, de vez em quando, as pessoas eram arrastadas pelas águas, morrendo afogadas. A dificuldade de transpor a ribeira continuou até o secúlo XIX. Em 1862, a população apelava a necessidade de uma Ponte na Ribeira da Janela.
Feitas várias diligências, finalmente nos dias 18 e 19 de Dezembro de 1891 foi colocada a ponte metálica sobre a Ribeira da Janela. Tratou-se da primeira obra do genero a facilitar a passagem sobre uma caudalosa ribeira que havia feito várias vitimas. Assistiram à sua inauguração mais de 600 pessoas vindas de muitas partes.
Em 1956 substitui esta ponte metálica uma outra que apresenta um aspecto possante e que ainda resiste. Toda armada em cantaria, trata-se de uma das mais belas pontes da Madeira.

Ribeira da Janela em 2009
Ribeira da Janela vista dos Lamaceiros - 2009
Ilheu da Ribeira da Janela - 2009
Ribeira da Janela vista dos Lamaceiros - 2009

terça-feira, 22 de junho de 2010

Porto do Moniz

foto tirada da net (sem data)
foto tirada da net (sem data)
"O Porto do Moniz é uma das freguesias mais antigas do norte da Ilha, constituindo a carta régia de 12 de Março de 15 74, um dos mais arcaicos diplomas em que a mesma é citada. Tal como as restantes freguesias do Norte da Ilha, o Porto do Moniz fez inicialmente parte do municipio de Machico. Mais tarde com a elevação da freguesia de S. Vicente a concelho, ocorrida por volta de 1744, passou a integrar aquela recém criada jurisdição administrativa. No ano de 1835, em pleno reinado de D. Maria II - a educadora - a freguesia do Porto do Moniz é elevada à categoria de concelho, tendo a sua instauração se efectuado a 31 de Outubro desse mesmo ano. Constituido inicialmente por cinco freguesias, ficou mais tarde, apartir de 1871, reduzido às quatro freguesias, Porto do Moniz, Achadas da Cruz, Ribeira da Janela e Seixal, na sequência da anexação da Ponta do Pargo ao concelho da Calheta. No entanto, o Porto do Moniz sofreu alguma vicissitudes relativamente à sua existência como concelho, tendo sido, de acordo com registos históricos, suprimido e reinstaurado por trê vezes: foi extinguido em 1849 e reinstaurado em 1855. Novamente extinto em 1867, em simultâneo com os concelhos de Câmara de Lobos e Santana, voltou a ser reinstabelecido em 1871. Extinto pela última vez em 1895 foi reinstaurado definitivamente a 13 de Fevereiro de 1898. Tal como as vicissitudes antes referidas quanto à existência do concelho, o seu próprio nome sofreu também alterações ao longo dos tempos: assim, nos primórdios da descoberta foi denominada por lugar da Ponta do Tristão, sendo a parte ribeirinha do povoamento designada de "Janela da Clara", e a zona alta, compreendida entre os sitios dos Lamaceiros e Achadas da Cruz, por Ponta do Tristão. O seu nome actual está associado a um dos mais ancestrais povoadores, Francisco Moniz, nobre algarvio, casado com D. Filipa da Câmara, neta de João Gonlçalves Zarco. Segundo os registos históricos conhecidos, Francisco Moniz terá sido um dos primitivos moradores daquela povoação a usufruir de terras em regime de sesmaria, herdadas do seu pai João Lourenço."
Porto Moniz - Maio de 2008
As famosas piscinas naturais do Porto Moniz!
Maio de 2008

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Ponta do Sol

Foto retirada da net (sem data)
Ponta do Sol 2008

"Situada a 18 km do Funchal, Ponta do Sol é a sede de Concelho. Localizada na costa sul da Ilha da Madeira, é limitada a oeste pela Calheta, a norte por São Vicente e Porto Moniz e a leste pela Ribeira Brava. O seu Topónimo surge porque Gaspar Frutuoso refere que em 1420, João Gonçalves Zarco, em viagem de reconhecimento da costa da Madeira, atingiu uma ponta que entrava no mar e sobre a qual se avistava uma rocha que, de tão polida pela rebentação do mar, parecia iluminada pelos raios solares. Desta constatação lhe advém o nome de Ponta do Sol.
A Ponta do Sol começou a ser colonizada aproximadamente por 1440. Um dos seus mais antigos colonizadores foi Rodrigues Eanes, o Coxo, que, obtendo ali vastos terrenos, estabeleceu uma importante fazenda povoada, que foi a origem e o primitivo núcleo da freguesia.
Depois de Machico, e por alvará de D. Manuel datado de 2 de Dezembro de 1501, esta povoação é elevada à categoria de vila e concelho municipal.
A sua area distribui-se por 3 freguesias: Canhas, Madalena do Mar e Ponta do Sol.
Uma obra notável que tem esta freguesia é o seu cais de desembarque mandado construir pela respectiva câmara municipal no ano de 1848."